o dinheiro

Por endrigo_ 04/07/2007
Tirei a nota do bolso e ento percebi ali escrito venha me salvar. Gastei alguns instantes conjeturando se se tratava de algum ao modo de uma mensagem na garrafa pelo vis mercantilista pedindo ajuda, ou se era a tal nota que agonizava, ou mesmo se a prpria economia nacional que clamava por socorro. O jornaleiro me olhava, com um olhar bovino, esperando pelo dinheiro, uma mo estendida, a outra segurando o jornal, visivelmente pouco preocupado com os meus pensamentos. Entreguei a nota sem querer entreg-la e pedi cigarros, talvez tambm fsforos. Isto aconteceu na segunda. Na quinta, o troco do nibus veio com a inscrio no tenho nenhuma pressa. Acho que pude perceber a mesma garatuja, sfrega, escrita ao mximo esforo, a mesmssima caligrafia feia da nota doutro dia. Observei aquelas letras, tentando decifrar se h muito foram escritas, qual caneta fora usada, qual a relao de uma mensagem com a outra e, pior, se eram direcionadas a mim - e se caso fossem, o quo sofisticados e eficazes eram em entregar-me. Sa de meu transe particular, advertido pelo cobrador que desse um passo a frente, por favor, para desobstruir a catraca, coisa que fiz quase mecanicamente. No sbado de manh, de ressaca, mal conseguindo acordar, tirei um nota amassada do bolso onde se lia cuzo.